João José Sady
Abolimos as indicações para juiz classista
Qual o período da sua gestão no SASP?
João José Sady – Participei da gestão 1989/1991 como segundo secretário e fui eleito presidente para o mandato 1992/1994, sendo reeleito para o período 1995/1997.
Quais os pontos positivos que o senhor destacaria no seu mandato?
João José Sady – Nos mandatos em que fui presidente, a tônica principal consistiu em retirar o SASP do gueto político em que se encontrava, dar-lhe credibilidade perante a classe e o movimento sindical e construir a entidade nas bases. A entidade estava desmoralizada, tida e havida como sindicato de plaqueta existente apenas para servir de trampolim para a eleição de juizes classistas. Nós abolimos as indicações para juiz classista e começamos a atuar na organização do setor nas grandes bases, ou seja, junto aos setores de concentração de advogados assalariados, especificamente, nos departamentos jurídicos das grandes empresas e grandes sindicatos. Travamos, também, intensa luta pela melhoria das condições de funcionamento da Justiça do Trabalho cuja inoperância atinge fundamente os advogados e seus clientes. Tivemos de lidar com o poder de fogo da OAB/SP para a qual o SASP era uma excrescência, uma barata que poderia ser esmagada com o pé. No entanto, tiveram que nos aceitar como interlocutores. No meio do período, foi editado o novo Estatuto dos Advogados e detonamos a luta pela concretização das vantagens devidas aos advogados empregados, principalmente, o repasse dos honorários atribuídos nos processos em que eles funcionavam e o respeito à jornada de trabalho. Isso nos criou sérias encrencas com os grandes sindicatos e as grandes empresas, sendo preciso, inclusive, mover uma série de ações contra esses empregadores.
Qual a "cara" que o senhor e sua diretoria quiseram dar ao sindicato?
João José Sady – A nossa pretensão relativamente ao SASP constituía em trazê-lo para o campo das forças progressistas e firmá-lo perante a classe e o entorno político, como uma entidade real, combativa, séria, honesta e que servia de reduto para a esquerda da advocacia. O SASP estava muito mal visto quando assumimos (numa eleição difícil e disputada) e a nossa maior dificuldade foi construir uma aliança política com um pessoal de boa cepa para assumir a direção da entidade. Montamos uma coalizão (independentes, PT, PCdoB, PSTU, PCB) que perdura até a presente data. Ao firmar este pólo progressista, criamos condições para que a entidade, posteriormente, tivesse um papel de parceiro político quando a OAB/SP caminhou mais em direção ao centro-esquerda e os movimentos sociais começaram a despontar no ano de 2000.
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