DÍVIDA EXTERNA
Impossível de ser paga, dívida externa estrangula crescimento

País deve US$ 240 bilhões aos credores internacionais. Em 2004, governo brasileiro destinou mais de R$ 70 bi para pagamento de juros e amortizações.

Passados quase dois anos do mandato do presidente Lula, uma pergunta martela a cabeça de milhões de brasileiros. Quando é que o país vai mudar de fato? Até agora, o governo de coalizão do PT com partidos de centro e direita tem-se mostrado tão ou mais conservador que o governo anterior na condução da política econômica, fundamental para a guinada que a população tanto espera.

A frustração de grandes setores da sociedade e a identificação cada vez maior do governo Lula com a chamada “cartilha neoliberal”, reacende o debate sobre o mecanismo que impede o crescimento econômico: o endividamento externo.

Dívida eterna?
Você pode não acreditar, mas um cidadão brasileiro nasce devendo US$ 1.340, quase quatro mil reais. Num período de quatro anos, pela atual lógica do sistema financeiro internacional, cada compatriota pagou em serviços da dívida quase o valor inicialmente devido, cerca de US$ 1.200 dólares. Mas o montante total, em vez de cair, subiu para US$ 2.150!

O exemplo acima, embora simplista, revela um fato inegavel: a dívida é impagável. Mesmo pagando-se as prestações, ela aumenta. Este mecanismo, que drena os recursos de uma nação, impede o investimento das forças produtivas e na infra-estrutura do país, e mantém a dependência eterna dos órgãos de financiamento internacionais como o FMI, mantidos pelos países capitalistas da Europa, Japão e Estados Unidos.

A origem da dívida remonta ao Brasil Império. Mas é durante o regime militar (1964/84) que ela dá o primeiro grande salto e se caracteriza como mecanismo de dependência, principalmente pelo fato de que os empréstimos contraídos vão para o pagamento da rolagem do montante principal, não para investimentos no país.

Durante o governo Sarney (1985/89) a situação se agravou, mas foi no período FHC (1994/2002) que a dívida ganhou proporções gigantescas (veja quadro ao lado). Neste período, a dívida interna cresceu de R$ 60 bilhões para R$ 800 bilhões, asfixiando completamente os já combalidos investimentos públicos.

Para agravar a situação, o tucanato jogou no ralo US$ 85 bilhões arrecadados com a privatização das empresas estatais, vendidas, ironicamente, “para diminuir a dívida”.

Em resumo, o país está mais pobre e mais endividado, mas ninguém assume a responsabilidade pela realização de acordos duvidosos.

Por isso, ganha força a proposta de uma auditoria para devassar o histórico e a legitimidade da dívida.

.

              voltar