A
sanha arrecadatória do governo estadual está prejudicando
profissionais do Direito que trabalham em consultoria tributária.
Uma distorção na interpretação da Lei de
Crimes contra a Ordem Tributária está dificultando o trabalho
de advogados que prestam serviços de consultoria tributária.
O Ministério Público Estadual tem oferecido denúncia-crime
à Polícia Civil contra empresas que supostamente teriam
sonegado o ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias).
As denunciadas, invariavelmente, estão questionando legalmente
o repasse do tributo com base na assessoria tributária de advogados
da área.
Mesmo assim, o
MP não espera que o processo administrativo chegue ao fim, transformando
a pendência num caso de Polícia. “Ao irem depor na
delegacia muitos empresários são ameaçados de prisão
e acabam parcelando um valor que está sendo questionado e pode
ser revisto”, afirma o Dr. Luis Fernando de Mello, membro da comissão
do contribuinte do sindicato. Para ele, a Delegacia de Polícia
virou um escritório de cobrança.
Dr. Lúcio dos Santos Ferreira, também da comissão,
explica que o Supremo Tribunal Federal já determinou que o processo
criminal só pode ser aberto após o encerramento do processo
administrativo, no qual as empresas podem se defender das acusações
de sonegação e comprovar que reduziram sua carga tributária
dentro da lei.
Mas não é o que vem acontecendo. "Pelo contrário.
Em certos casos, para se defender, o empresário apresenta o planejamento
tributário, e o documento é utilizado como prova
policial contra ele", denuncia Lúcio. "Ou seja, o advogado
é prejudicado quando presta o serviço de consultoria e
quando defende o cliente das acusações", arremata.
A comissão
do contribuinte orienta que em casos de planejamento tributário
o advogado deve entrar com Mandado de Segurança, assim que receber
o auto de infração da Delegacia Regional Tributária.
“Somos contra
a sonegação. Mas não podemos confundi-la com o
direito do contribuinte em reduzir seu tributo legalmente. É
preciso ser cauteloso e saber separar o joio do trigo", finaliza
Luís Fernando.