Cerca
de cinco mil pessoas participaram da festa de 20 anos do Movimento dos Trabalhadores
Sem Terra, o MST, em Itapeva, interior de São Paulo, no último dia
22 de junho.
A
festa teve um sabor diferente, já que foi realizada num dos assentamentos-modelo
do movimento, que já assentou cerca de 350 mil famílias (um milhão
de pessoas). Outras 135 mil famílias vivem nos acampamentos, lutando pela
posse da terra.
Dois ministros de Lula, José Fritsch (Pesca) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento
Agrário), e o assessor especial da Presidência, Frei Betto, reforçaram
o compromisso do governo com a reforma agrária, e prometeram assentar 115
mil famílias ainda neste ano.
As promessas não impediram que João Pedro Stedile, um dos líderes
do movimento, cobrasse mais coragem do governo. "Neste momento, a Reforma
Agrária que defendemos não vai se viabilizar se não for alterado
o modelo econômico. O agronegócio produz dólares, mas não
comida", afirmou.
Segundo dados oficiais, em 2003, apenas 36 mil famílias foram assentadas,
sendo que outras 35 mil foram despejadas e 61 mil continuam ameaçadas de
expulsão.
História
Em 1984, um grupo de 80 representantes de organizações
camponesas de 13 Estados se reuniu em uma igreja próxima à cidade
paranaense de Cascavel, entre os dias 20 e 24 de janeiro. Na reunião foi
decidida a criação de um movimento nacional que reunisse camponeses
quem desde o fim dos anos 70, se organizavam para reivindicar o acesso à
terra.
Esses
camponeses não se conformavam em ter perdido a terra no processo de mecanização
que transformava a agricultura brasileira. Como que já vinham sendo chamados
de "sem-terra" pela imprensa, decidiram incorporar a expressão
ao nome do movimento. Nascia assim o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra,
o MST.